9.7.24

O tempo passando e as coisas evoluindo

O ano era 1991, éramos inocentes, e a Creative Labs, para apresentar e divulgar as capacidades das suas placas de som, desenvolveu um programa de computador chamado "Dr. Sbaitso".

Esse programa se propunha a ser um "psicólogo digital", com o qual o usuário conversaria, contando seus problemas e ouvindo soluções e conselhos.

Esse nome é composto pelas iniciais da expressão "Sound Blaster Acting Intelligent Text-to-Speech Operator".

Será que ele poderia ser considerado uma versão rudimentar de inteligência artificial?

Inicialmente, ele perguntava seu nome, e respondia com a seguinte sequência:

HELLO [UserName], MY NAME IS DOCTOR SBAITSO.

I AM HERE TO HELP YOU.
SAY WHATEVER IS IN YOUR MIND FREELY,
OUR CONVERSATION WILL BE KEPT IN STRICT CONFIDENCE.
MEMORY CONTENTS WILL BE WIPED OFF AFTER YOU LEAVE,

SO, TELL ME ABOUT YOUR PROBLEMS.

 

Figura 1 - O início da interação com o Dr. Sbaitso
 

A coisa toda se desenvolvia de uma maneira lastimável, em que você se sentia realmente interagindo com um script paupérrimo de conhecimento e habilidades.

As perguntas existenciais eram seguidas de respostas nonsense, e as perguntas objetivas não produziam qualquer resultado útil.


Figura 2 - Perguntas objetivas ao Dr. Sbaitso

Assim, depois de matar a curiosidade, a vontade era de simplesmente abandonar a conversa já nas primeiras respostas.

Ok, em 1991, com computadores com uma capacidade de processamento muito menor do que a que temos hoje, e num tempo em que a conectividade com a Internet era nula como regra, até que esse programa impressionava... um pouco.

Atualmente esse programa roda dentro de navegadores, e tem diversos sites que possuem ele à disposição. Basta procurar.



8.3.23

Is there anybody out there? Is there anybody in there?

 Será que ainda faz sentido discutir VOIP atualmente?


!!! Disclaimer: Tudo que eu vou escrever aqui está sem referências e está sujeito às minhas interpretações à época em que foram pensadas. Deve ter muita coisa errada, ok? Agradeço gentilmente quaisquer correções lá nos comentários. !!!


Como eu vi algumas coisas ao longo dessa vida, seria bom estar tudo aqui.


Até lá pela década de 80, ligações telefônicas interurbanas eram uma coisa terrível (para os padrões atuais). A tecnologia era toda baseada em comutação de circuitos, ao contrário de hoje, que é comutação de pacotes (mas esse assunto não cabe aqui).


Cara, comutação de circuitos significava que existia uma ligação elétrica real entre seu aparelho telefônico e o aparelho lá do outro lado da ligação. Eu não sei direito quando surgiram as tecnologias de multiplexação de canais e os links de microondas, porque eu não pesquisei tanto assim... mas é assustador imaginar, hoje, que uma ligação telefônica era (poderia ser) de fato uma "ligação", eletricamente falando.


Na década seguinte, anos 90, a internet avançou e logo perceberam que uma ligação telefônica internacional poderia ser feita através de uma comunicação de dados. Na teoria, funcionava, mas na prática, com delays e bandas restritas, a coisa não era tão legal assim. (Estou abstraindo aqui a necessidade de placa de som, um opcional caro à época, caixas de som ou fones, e microfones. Não eram coisas triviais.)


E aí entra em cena o dono de tudo, o monopolista supremo, o monstro de sete cabeças: o governo.


Sim, você não podia conversar com alguém sem um CGC no meio (era como se chamava o CNPJ, moçada). E se tivesse um CGC, tinha imposto. Ah, monstro faminto, descobrimos seu alimento.


E esse CGC devia estar relacionado com a atividade de telecomunicações, e não bastava ser um provedor de internet, porque, pasme, o ato de conversar com alguém foi transformado em monopólio do Estado.


Mas e aí, se você abrir os pacotes IP e descobrir que são de telefonia... como fica? Fica no sigilo das comunicações, ou seja, em teoria, não se poderia fazer isso. Então, deixa quieto. (Hoje em dia as coisas seriam certamente diferentes.)


Bem, ter com quem conversar, nesses termos, também era difícil, e a gente acabava conversando com qualquer um, só pelo prazer de conversar através desse negócio moderno aí.


Por um tempo, mantínhamos o computador com o Skype ligado em certas horas do dia, à disposição de quem quisesse nos incomodar.


Putz, hoje em dia é o contrário. A gente torce pra conseguir ficar sozinho um minuto. Ninguém dá paz.


Navegando por aí, eu encontrei o post "A História do Voip", no endereço  https://www.voipdobrasil.com.br/blog/a_historia_do_voip/ , e ele contém um interessante resumo sobre a história dessa interessante tecnologia.


3.10.21

Aquele ruído da televisão

"Aquele ruído da televisão...", ou, uma história da ascensão e queda da minha audição.

Esse post foi escrito em fevereiro de 2020 e ficou na caixa de rascunhos durante todo esse tempo.

Agora vem à luz, com mais conteúdo do que antes. 


Primeira parte: como funciona a televisão


Figura 1 - Oh, my life is changing everyday, in every possible way...

Antigamente os aparelhos de televisão, devido ao seu funcionamento, quando ligados, produziam um ruído bem fininho, de 15734 Hz. O motivo disso é a frequência do retraço horizontal do feixe de elétrons do tubo de imagens. (Aqui explica uma parte.). Esse mecanismo todo, por envolver transformadores, bobinas etc, acabava fazendo certas partes internas vibrarem nessa frequência, e essa vibração era esse ruído de alta frequência.

Esse ruído era audível?

Bem, para mim era.

Para muita gente, não era. Ou então, era sumariamente ignorado, já que ninguém presta atenção em nada mesmo.

Mas guardem isso por enquanto.

Segunda parte: como funciona a cabeça das pessoas


Figura 2 - Headless and all alone...


Então a moda da TV a cabo veio à luz, e aquele rosário de súplicas maternas do tipo "sai da frente dessa televisão, vá brincar lá fora" deu lugar a "vamos lá na casa da tia fulana... tem televisão a cabo e você pode assistir um milhão de canais" (enquanto as madames faziam fofoca sem se preocupar com a integridade física dos meninos - muito menos a integridade mental).

E foi mais ou menos aí que eu comecei a desconfiar da sinceridade das pessoas, mas isso daqui é um blog, não um consultório. Vamos continuar com a música.


Terceira parte: a era perdida


Figura 3 - The precious moments are all lost in the tide, yeah


Estamos agora na década de 90. A década perdida. A década do Domingão do Faustão e da Banheira do Gugu.

E isso foi o que deu certo -- juntamente com as TVs a cabo e via satélite.

E uma das coisas que deu errado foram os canais de música, na TV via satélite. Tinha isso, gente.

Acho que tinha tanta largura de banda sobrando no satélite que eles resolveram, da maneira mais esdrúxula, ocupar com qualquer coisa.

Bom, até que era aceitável, mas eu duvido que alguém "assistisse". Alguém poderia deixar tocando "jazz", imagine só, na sala de espera de um consultório... mas contratar uma TV a cabo só pra isso? I don't think so.

Sinceramente, acho que nem os padrinhos dessa ideia acreditavam na viabilidade da mesma. Os canais eram denominados por estilo, tipo jazz, rock, clássica, mas, no fim das contas você ouvia o que eles queiram, e não o que você queria: Só música ruim, sem intervalos comerciais. Um tédio.

E ouvia também esse inconveniente apito de 15734 Hertz.

Era a década de 90, lembram? Não existiam as TVs de tela plana, imunes a esse ruído. Eram todas de tubo mesmo, até as boas.

Então acabou tendo essa mistura inadmissível de "música pela televisão" e "ruído de retraço horizontal de feixe de elétrons", o que, pra mim, era um dos mais graves insultos tecnológicos.

Uma barbárie.


Quarta parte: a minha paciência perdida


Figura 5 - Simulação de um tom puro de 15.734 Hz junto de um programa qualquer de televisão, que infelizmente caiu na triste irrelevância do... do que mesmo?

Pra mim era tolerável ouvir o apitinho durante um programa qualquer de televisão. Era até parte da experiência. Tipo aquele ruído da fita cassete, sabe? Ou a granulação do filme fotográfico.

Você passava na frente das casas e ouvia o aptinho. A denúncia inequívoca. O atestado de que alguém estava lá com o aparelho ligado. Podia estar varrendo a casa... passando roupas... preparando a comida... estudando pra prova de amanhã... você não tinha como saber isso. Mas tinha como saber que a TV estava ligada, isso era certeza.

Enfim, eu tolerava ouvir o apitinho quando assistia televisão, mas não tolerava o apitinho ao ouvir música.

Apitinho era coisa de televisão. Não de música.

Ouvir música pela televisão, definitivamente não rolava. Era um sacrilégio.


Quinta parte: sinais dos tempos

Agora vem a parte adicional prometida.

A parte triste.

Figura 6 - Aconteceu...


Lá por agosto de 2020, numa triste manhã de domingo, um zumbido nos ouvidos.

Pensei ser fruto de uma noite mal dormida, ou de uma noite muito dormida. Ou dos fones de ouvido, coisas do home office.

Bom, "Bem-vindo à época das surpresas dos tempos. Esse zumbido se chama tinnitus e vai te acompanhar pro resto da vida. Ele é amigo (primo distante, segundo fontes) da presbiopia". (Isso foi mero recurso literário. Ignorem.)

Ginkgo biloba ajuda um pouco. Tonturas e escotomas também vão embora.

Sinais dos tempos... Meu Deus.

Então, sabem aquele ruído que as televisões antigas produzem, de 15734 Hz, que era a evidência de um aparelho ligado nas imediações, que era parte do charme da sala de qualquer família, e também o sacrilégio supremo dos canais de música?

Ele agora me acompanha 24 horas por dia, 7 dias por semana.

É um inferno, gente. Um insulto divino. 

[Insira aqui três parágrafos de reclamações e injúrias aleatórias.]

Espero que não apareça mais nada... (vai nessa)



8.4.20

a prática do dx na minha vida

Hoje vou falar de algo que me fala diretamente ao coração: a prática de ouvir emissoras de rádio de lugares muito distantes, e em especial, sobre um programa de rádio dedicado a esse mesmo tema.

O nome desse "hobby", por assim dizer, é "dexismo" (pronunciado "dechismo"), derivado das letras "DX", cujo significado está relacionado com "distância", na área da telegrafia.

Pode parecer estranho esse tipo de prática, mas estamos falando de uma era pré-internet, e esse hobby era uma das maneiras mais fáceis (e até baratas) de se manter contato com o resto do mundo.

Em geral, as pessoas ouviam geralmente as estações locais, por motivos óbvios: tratavam de assuntos que lhes diziam respeito, e podiam ser facilmente sintonizadas.

O que caracteriza o dexismo é o interesse em emissoras distantes, e o uso de aparelhos/antenas mais sofisticados, que possibilitam a recepção de sinais mais fracos.

Provavelmente meu início nessa prática foi numa viagem de férias à casa dos meus avós paternos. Meu vô tinha um rádio muito antigo, ainda à válvula (pesquisem sozinhos sobre isso), e aquilo me encantou. Eu era pequeno, e aquilo era uma das coisas mais sublimes, respeitosas e encantadoras que eu havia visto na minha vida.

Figura 1 - O início da história toda

Mais tarde apareceu lá em casa um rádio mais moderno, e lá se foi uma parte do meu tempo livre.

Figura 2 - Isso daqui já estão chamando de "vintage"

Era muito comum, mas muito comum mesmo, ao se vasculhar o dial, encontrar emissoras em outras línguas. Não tinha muito a se fazer: era tentar entender alguma coisa, esperar (sim, esperar) que se transmitisse algo em português, ou seguir adiante, garimpando outras emissoras.

Ocorre que muitas emissoras estrangeiras transmitiam em outras línguas que não as suas, e dentre elas estava a língua portuguesa. Então, fazia sentido o "esperar" acima. Os motivos... bem... guerra fria pode ser um deles?

Uma das famosas rádios que eu ainda cheguei a pegar foi a "A Voz da Alemanha". A "BBC" de Londres também transmitia, mas não lembro de ter ouvido muito ela.


Figura 3 - Logotipo da Deutsche Welle

Figura 4 - Logotipo da BBC

Uma das emissoras que mais marcou minha vida foi a Rádio Trans Mundial.

Figura 5 - Logotipo da rádio trans mundial

Ela é/era uma rádio de orientação religiosa, mas não era nisso que eu estava interessado.

Era o início da década de 90, morávamos no interior do Rio Grande do Sul. Eu tinha um computador, mas eu nem tinha ouvido falar da internet ainda. Enfim...

Todo dia, lá pelas 19 ou 20 horas, a Rádio Transmundial transmitia esse programa, que é o segundo assunto do qual eu quero falar, chamado "Módulo DX". Era um espaço de 5 minutos dedicado a divulgar e promover a prática do dexismo. Eram informações técnicas sobre aparelhos, antenas, propagação de ondas, características das emissoras, o famigerado "cartão QSL"... enfim, eu estava descobrindo que esse meu hábito não só tinha nome, como também toda uma cultura em volta.

Só por curiosidade, essa emissora de rádio tinha transmissores localizados em Santa Maria (RS), e na ilha holandesa de Bonaire, no Caribe, ao norte da Venezuela. Mais informações aqui.

Figura 6 - Antiga cobertura dos transmissores da Rádio Transmundial

Tudo isso foi uma preparação para o seguinte assunto: Esses dias eu encontrei na internet um material muito precioso: uma boa parte dos programas "Módulo DX" gravados, que foram transmitidos no ano de 1989.

O endereço é https://www.ondascurtas.com/audios/programas-dx/modulo-dx/

Figura 7 - Logotipo do DX Clube do Brasil

Foi uma grande alegria tê-los ouvido novamente, e por isso quero compartilhar essa informação com vocês aqui.

Minha sugestão de audição é que sejam ouvidos com bastante calma e deferência, pois são como testemunhos vivos de uma época que não deve voltar.

Além dos aspectos técnicos, como antenas e receptores, o programa também aborda questões sociológicas de suma importância para o entendimento do rádio como instrumento de política. Durante a segunda guerra mundial, o rádio teve importante papel cultural, entendido isso em sentido bem amplo.

Para quem quer se aprofundar nessa questão, os programas de número 31 e 32 (sobre Jamming) são um bom ponto de partida.

Bem, meus caros, deixo convosco minha calorosa saudação. Boa audição a todos.


2.2.20

mais um dia palíndromo

Ok, isso é uma espécie de esporte típico dos nerds: ficar procurando dias palíndromos, só pra encher a paciência dos outros.

E hoje é um desses dias: 02/02/2020.

Figura 1 - O Word Art mandou lembranças...

Se for lido de trás pra frente, vai dar a mesma coisa.

"Pretty silly", obviamente, pois depende que o formato de escrita do número do mês e do dia sejam com dois algarismos.

Claro, quem quiser encher o saco dos outros com alguma hora palíndroma, pode aproveitar que o dia está só no começo, e mandar uma mensagem só para acordar a pobre vítima no meio da madrugada.

Bom dia palíndromo a todos!

P.S.: ando achando tanta coisa retrô de computador na internet que está dando muita vontade de postar mais conteúdo.

4.7.19

mais uma daquelas dúvidas linguísticas

Por que as pessoas usam o pretérito imperfeito para relatar seus sonhos, e não o pretérito perfeito?

Fig. 1 - Komm her, ich kann den Zaubertrick, je fais des rêves en plastique

Isso é uma dessas estranhas unanimidades invisíveis da comunicação.

É tipo "eu entrava no avião e ele saía voando", ao invés de "eu entrei no avião e ele saiu voando".

Alguém tem alguma ideia?

Outra coisa: como é isso em outras línguas? Alguém sabe se as pessoas usam tempos verbais específicos para relatar sonhos? (ou qualquer outra peculiaridade linguística...)

11.12.18

Um remédio, por favor.

Eu realmente não sei mais o que escrever nesse blog.

Entra ano, sai ano,  renovo o domínio, prometo a mim mesmo que dessa vez eu vou escrever mais... só que nada.

Talvez seja a idade mesmo.

Hoje cedo minha glicemia em jejum deu 103.

Figura 1 - Quando todas as imagens "royalty free" que você encontra possuem, na verdade, alguma restrição de uso, você mesmo tira sua própria foto de "açúcar" para ilustrar seu post.
"Mas Bruno, você é diabético?"

É isso que eu quero descobrir.

O refil da minha maquininha estava vencido. Suspeitei que os resultados estavam errados.

Aí comprei outra maquininha de medir a glicemia. Agora eu tenho duas maquininhas de medir a glicemia.

E os resultados do dia, além de não estarem tão elevados assim, estavam muito parecidos entre si.

Acho que não sou diabético. Sou hipocondríaco.

Alguém tem algum remédio para a hipocondria?