3.10.21

Aquele ruído da televisão

"Aquele ruído da televisão...", ou, uma história da ascensão e queda da minha audição.

Esse post foi escrito em fevereiro de 2020 e ficou na caixa de rascunhos durante todo esse tempo.

Agora vem à luz, com mais conteúdo do que antes. 


Primeira parte: como funciona a televisão


Figura 1 - Oh, my life is changing everyday, in every possible way...

Antigamente os aparelhos de televisão, devido ao seu funcionamento, quando ligados, produziam um ruído bem fininho, de 15734 Hz. O motivo disso é a frequência do retraço horizontal do feixe de elétrons do tubo de imagens. (Aqui explica uma parte.). Esse mecanismo todo, por envolver transformadores, bobinas etc, acabava fazendo certas partes internas vibrarem nessa frequência, e essa vibração era esse ruído de alta frequência.

Esse ruído era audível?

Bem, para mim era.

Para muita gente, não era. Ou então, era sumariamente ignorado, já que ninguém presta atenção em nada mesmo.

Mas guardem isso por enquanto.

Segunda parte: como funciona a cabeça das pessoas


Figura 2 - Headless and all alone...


Então a moda da TV a cabo veio à luz, e aquele rosário de súplicas maternas do tipo "sai da frente dessa televisão, vá brincar lá fora" deu lugar a "vamos lá na casa da tia fulana... tem televisão a cabo e você pode assistir um milhão de canais" (enquanto as madames faziam fofoca sem se preocupar com a integridade física dos meninos - muito menos a integridade mental).

E foi mais ou menos aí que eu comecei a desconfiar da sinceridade das pessoas, mas isso daqui é um blog, não um consultório. Vamos continuar com a música.


Terceira parte: a era perdida


Figura 3 - The precious moments are all lost in the tide, yeah


Estamos agora na década de 90. A década perdida. A década do Domingão do Faustão e da Banheira do Gugu.

E isso foi o que deu certo -- juntamente com as TVs a cabo e via satélite.

E uma das coisas que deu errado foram os canais de música, na TV via satélite. Tinha isso, gente.

Acho que tinha tanta largura de banda sobrando no satélite que eles resolveram, da maneira mais esdrúxula, ocupar com qualquer coisa.

Bom, até que era aceitável, mas eu duvido que alguém "assistisse". Alguém poderia deixar tocando "jazz", imagine só, na sala de espera de um consultório... mas contratar uma TV a cabo só pra isso? I don't think so.

Sinceramente, acho que nem os padrinhos dessa ideia acreditavam na viabilidade da mesma. Os canais eram denominados por estilo, tipo jazz, rock, clássica, mas, no fim das contas você ouvia o que eles queiram, e não o que você queria: Só música ruim, sem intervalos comerciais. Um tédio.

E ouvia também esse inconveniente apito de 15734 Hertz.

Era a década de 90, lembram? Não existiam as TVs de tela plana, imunes a esse ruído. Eram todas de tubo mesmo, até as boas.

Então acabou tendo essa mistura inadmissível de "música pela televisão" e "ruído de retraço horizontal de feixe de elétrons", o que, pra mim, era um dos mais graves insultos tecnológicos.

Uma barbárie.


Quarta parte: a minha paciência perdida


Figura 5 - Simulação de um tom puro de 15.734 Hz junto de um programa qualquer de televisão, que infelizmente caiu na triste irrelevância do... do que mesmo?

Pra mim era tolerável ouvir o apitinho durante um programa qualquer de televisão. Era até parte da experiência. Tipo aquele ruído da fita cassete, sabe? Ou a granulação do filme fotográfico.

Você passava na frente das casas e ouvia o aptinho. A denúncia inequívoca. O atestado de que alguém estava lá com o aparelho ligado. Podia estar varrendo a casa... passando roupas... preparando a comida... estudando pra prova de amanhã... você não tinha como saber isso. Mas tinha como saber que a TV estava ligada, isso era certeza.

Enfim, eu tolerava ouvir o apitinho quando assistia televisão, mas não tolerava o apitinho ao ouvir música.

Apitinho era coisa de televisão. Não de música.

Ouvir música pela televisão, definitivamente não rolava. Era um sacrilégio.


Quinta parte: sinais dos tempos

Agora vem a parte adicional prometida.

A parte triste.

Figura 6 - Aconteceu...


Lá por agosto de 2020, numa triste manhã de domingo, um zumbido nos ouvidos.

Pensei ser fruto de uma noite mal dormida, ou de uma noite muito dormida. Ou dos fones de ouvido, coisas do home office.

Bom, "Bem-vindo à época das surpresas dos tempos. Esse zumbido se chama tinnitus e vai te acompanhar pro resto da vida. Ele é amigo (primo distante, segundo fontes) da presbiopia". (Isso foi mero recurso literário. Ignorem.)

Ginkgo biloba ajuda um pouco. Tonturas e escotomas também vão embora.

Sinais dos tempos... Meu Deus.

Então, sabem aquele ruído que as televisões antigas produzem, de 15734 Hz, que era a evidência de um aparelho ligado nas imediações, que era parte do charme da sala de qualquer família, e também o sacrilégio supremo dos canais de música?

Ele agora me acompanha 24 horas por dia, 7 dias por semana.

É um inferno, gente. Um insulto divino. 

[Insira aqui três parágrafos de reclamações e injúrias aleatórias.]

Espero que não apareça mais nada... (vai nessa)



8.4.20

a prática do dx na minha vida

Hoje vou falar de algo que me fala diretamente ao coração: a prática de ouvir emissoras de rádio de lugares muito distantes, e em especial, sobre um programa de rádio dedicado a esse mesmo tema.

O nome desse "hobby", por assim dizer, é "dexismo" (pronunciado "dechismo"), derivado das letras "DX", cujo significado está relacionado com "distância", na área da telegrafia.

Pode parecer estranho esse tipo de prática, mas estamos falando de uma era pré-internet, e esse hobby era uma das maneiras mais fáceis (e até baratas) de se manter contato com o resto do mundo.

Em geral, as pessoas ouviam geralmente as estações locais, por motivos óbvios: tratavam de assuntos que lhes diziam respeito, e podiam ser facilmente sintonizadas.

O que caracteriza o dexismo é o interesse em emissoras distantes, e o uso de aparelhos/antenas mais sofisticados, que possibilitam a recepção de sinais mais fracos.

Provavelmente meu início nessa prática foi numa viagem de férias à casa dos meus avós paternos. Meu vô tinha um rádio muito antigo, ainda à válvula (pesquisem sozinhos sobre isso), e aquilo me encantou. Eu era pequeno, e aquilo era uma das coisas mais sublimes, respeitosas e encantadoras que eu havia visto na minha vida.

Figura 1 - O início da história toda

Mais tarde apareceu lá em casa um rádio mais moderno, e lá se foi uma parte do meu tempo livre.

Figura 2 - Isso daqui já estão chamando de "vintage"

Era muito comum, mas muito comum mesmo, ao se vasculhar o dial, encontrar emissoras em outras línguas. Não tinha muito a se fazer: era tentar entender alguma coisa, esperar (sim, esperar) que se transmitisse algo em português, ou seguir adiante, garimpando outras emissoras.

Ocorre que muitas emissoras estrangeiras transmitiam em outras línguas que não as suas, e dentre elas estava a língua portuguesa. Então, fazia sentido o "esperar" acima. Os motivos... bem... guerra fria pode ser um deles?

Uma das famosas rádios que eu ainda cheguei a pegar foi a "A Voz da Alemanha". A "BBC" de Londres também transmitia, mas não lembro de ter ouvido muito ela.


Figura 3 - Logotipo da Deutsche Welle

Figura 4 - Logotipo da BBC

Uma das emissoras que mais marcou minha vida foi a Rádio Trans Mundial.

Figura 5 - Logotipo da rádio trans mundial

Ela é/era uma rádio de orientação religiosa, mas não era nisso que eu estava interessado.

Era o início da década de 90, morávamos no interior do Rio Grande do Sul. Eu tinha um computador, mas eu nem tinha ouvido falar da internet ainda. Enfim...

Todo dia, lá pelas 19 ou 20 horas, a Rádio Transmundial transmitia esse programa, que é o segundo assunto do qual eu quero falar, chamado "Módulo DX". Era um espaço de 5 minutos dedicado a divulgar e promover a prática do dexismo. Eram informações técnicas sobre aparelhos, antenas, propagação de ondas, características das emissoras, o famigerado "cartão QSL"... enfim, eu estava descobrindo que esse meu hábito não só tinha nome, como também toda uma cultura em volta.

Só por curiosidade, essa emissora de rádio tinha transmissores localizados em Santa Maria (RS), e na ilha holandesa de Bonaire, no Caribe, ao norte da Venezuela. Mais informações aqui.

Figura 6 - Antiga cobertura dos transmissores da Rádio Transmundial

Tudo isso foi uma preparação para o seguinte assunto: Esses dias eu encontrei na internet um material muito precioso: uma boa parte dos programas "Módulo DX" gravados, que foram transmitidos no ano de 1989.

O endereço é https://www.ondascurtas.com/audios/programas-dx/modulo-dx/

Figura 7 - Logotipo do DX Clube do Brasil

Foi uma grande alegria tê-los ouvido novamente, e por isso quero compartilhar essa informação com vocês aqui.

Minha sugestão de audição é que sejam ouvidos com bastante calma e deferência, pois são como testemunhos vivos de uma época que não deve voltar.

Além dos aspectos técnicos, como antenas e receptores, o programa também aborda questões sociológicas de suma importância para o entendimento do rádio como instrumento de política. Durante a segunda guerra mundial, o rádio teve importante papel cultural, entendido isso em sentido bem amplo.

Para quem quer se aprofundar nessa questão, os programas de número 31 e 32 (sobre Jamming) são um bom ponto de partida.

Bem, meus caros, deixo convosco minha calorosa saudação. Boa audição a todos.


2.2.20

mais um dia palíndromo

Ok, isso é uma espécie de esporte típico dos nerds: ficar procurando dias palíndromos, só pra encher a paciência dos outros.

E hoje é um desses dias: 02/02/2020.

Figura 1 - O Word Art mandou lembranças...

Se for lido de trás pra frente, vai dar a mesma coisa.

"Pretty silly", obviamente, pois depende que o formato de escrita do número do mês e do dia sejam com dois algarismos.

Claro, quem quiser encher o saco dos outros com alguma hora palíndroma, pode aproveitar que o dia está só no começo, e mandar uma mensagem só para acordar a pobre vítima no meio da madrugada.

Bom dia palíndromo a todos!

P.S.: ando achando tanta coisa retrô de computador na internet que está dando muita vontade de postar mais conteúdo.

4.7.19

mais uma daquelas dúvidas linguísticas

Por que as pessoas usam o pretérito imperfeito para relatar seus sonhos, e não o pretérito perfeito?

Fig. 1 - Komm her, ich kann den Zaubertrick, je fais des rêves en plastique

Isso é uma dessas estranhas unanimidades invisíveis da comunicação.

É tipo "eu entrava no avião e ele saía voando", ao invés de "eu entrei no avião e ele saiu voando".

Alguém tem alguma ideia?

Outra coisa: como é isso em outras línguas? Alguém sabe se as pessoas usam tempos verbais específicos para relatar sonhos? (ou qualquer outra peculiaridade linguística...)

11.12.18

Um remédio, por favor.

Eu realmente não sei mais o que escrever nesse blog.

Entra ano, sai ano,  renovo o domínio, prometo a mim mesmo que dessa vez eu vou escrever mais... só que nada.

Talvez seja a idade mesmo.

Hoje cedo minha glicemia em jejum deu 103.

Figura 1 - Quando todas as imagens "royalty free" que você encontra possuem, na verdade, alguma restrição de uso, você mesmo tira sua própria foto de "açúcar" para ilustrar seu post.
"Mas Bruno, você é diabético?"

É isso que eu quero descobrir.

O refil da minha maquininha estava vencido. Suspeitei que os resultados estavam errados.

Aí comprei outra maquininha de medir a glicemia. Agora eu tenho duas maquininhas de medir a glicemia.

E os resultados do dia, além de não estarem tão elevados assim, estavam muito parecidos entre si.

Acho que não sou diabético. Sou hipocondríaco.

Alguém tem algum remédio para a hipocondria?

27.5.18

Edit: algumas coisas eu sempre repito, outras eu sempre corrijo

"Bruno, você tem cara de que ainda usa o Winamp no computador."

Sim, eu ouvi isso.

Sim, eu uso isso.

It really whips the llama's ass!!!

O Windows 10 é muito bom na minha opinião, mas o player de áudio e o visualizador de imagens deles são só um "pelo menos".

Winamp e XnView ainda são meus prediletos.

A propósito, o que andam usando por aí atualmente?

21.2.18

12.2.18

Not so high! Not so high!

Eu tenho essa minha foto oficial que já me acompanha faz uns 15 anos. Mais detalhes sobre ela nesse post do meu outro blog.

Ela está em todas as minhas redes sociais e aplicativos de comunicação.

Aí comentaram comigo que pareço o menino do filme do ET nela.

Ou o próprio ET, não lembro.
Figura 1 - o ET levando o Elliot para passear
Acabo de assisti-lo novamente pela Netflix.

O Elliot, com aquela "cara de certeza" ao longo do filme, é fantástico!

Fora isso, eu nunca assisti um filme tão incômodo na minha vida.

Crianças fumando em casa, dissecando rãs na escola, a mãe num estado de alienação completa, agentes do governo bisbilhotando sua vida... todas aquelas atuações improváveis... tudo isso faz o extraterrestre parecer a coisa mais normal do mundo. Com bicicleta voando, nave espacial e tudo.

Desisto desse mundo. Cadê minha espaçonave?

5.1.18

até tu, Jarre?

Jean Michel Jarre, o músico francês que sempre esteve na vanguarda da música eletrônica, entrou numa viagem que não anda me agradando nada.

Desde que lançou "Téo and Téa" (tenho um post sobre isso) ele se enveredou para o lado do gênero rave, trance, etc., e, pra mim, ele perdeu sua essência, aquela coisa autêntica do mundo do computador e do sintetizador... aquele futurismo retrô... aquela coisa inequívoca que sempre se pôde chamar de "Jarre".

Agora ele vai participar do festival Coachella, executando as músicas do álbum "Electronica". Nada mais apropriado para o festival, mas nada mais inapropriado para seu próprio legado.

É como se ele tivesse ultrapassado uma linha imaginária que divide "nós" dos "outros". E essa linha não tem volta.

9.9.17

o fotolog voltou

Esses tempos o fotolog tinha fechado de vez, vide meu outro blog.

Aí voltou... essa semana.

Com muita ansiedade, fui visitar blogs de pessoas e salvar algumas fotos.

A maioria das fotos dos meus amigos é da década passada, e é interessante notar "o que se entende por foto de fotolog" a cada tempo.

Eu não sei se estou com as melhores referências pra opinar, mas parece que antigamente (tão legal escrever "antigamente") as pessoas postavam fotos mais artísticas e experimentais, e atualmente, mais pessoais e sociais. (A parte do "atualmente", no caso, é através do instagram, que tem o mesmo papel social que o fotolog, digamos.)

Exceto esse doido que vos fala, que só sabe tirar fotos fazendo cornholio. Vide.

12.6.17

nove anos de bolsa de valores

Nunca fui muito diligente com meus negócios na bolsa de valores. Tenho lá uns trocados e nada mais.

Mas vejam este trecho de email:

Bom dia Bruno

Com relação a bolsa, esta semana estamos sem indicadores de grande importância para sair la fora. 
Graficamente falando, o índice bovespa está oscilando dentro de uma área de congestão onde 60.000 é o suporte e 64.000 é a resistência, se romper o suporte dos 60.000, encontramos um suporte nos 58.000.
Então o que eu posso te dizer é que a bolsa pode cair mais, visto que o mercado pode entrar em recessão. Mas se for comprar algo, eu indicaria as blue chips, que estão em bom patamar de compra e se recuperam fácil.

E aqui um trecho (levemente modificado) de uma renomada casa de análises econômicas:

Se ficarmos sem coisas novas da Lava Jato, poderemos ficar muitas semanas oscilando entre 62 e 64 mil pontos.

O problema é que entre os dois há um espaço de nove anos e meio.

Nove anos e meio!

O que aconteceu com esse país??? Considere ainda que nesse meio tempo ele chegou aos extremos de 31250 e 72767 pontos. 

Será que tá certo isso???

23.3.17

Por que o post da computação quântica?

Eu nunca faria, sem uma motivação externa, um post sobre computação quântica nesse blog.

Não que fosse um tema longe do meu interesse. O fato é que estou fazendo (tentando fazer) uma nova graduação, e uma das atividades solicitadas era fazer um blog, e fazer nesse blog um post sobre computação quântica.

Oras... esse meu orgulho de blog, que já tem quase doze anos de idade... seria um lugar mais do que apropriado para esse post!

E aí está. Fiz essa pesquisa (meio às pressas, é verdade), coloquei algumas ironias (nunca deixaria sem!), e... passei na referida matéria.

Quanta coisa boa!

A graduação em questão é de tecnólogo em análise e desenvolvimento de sistemas, na faculdade Unit. A modalidade do curso é 100% EAD.

Vamos ver no que vai dar... a esperança é grande!

11.1.17

O que é computação quântica?

Foi-me proposta a seguinte atividade: pesquisar sobre a computação quântica.

Vejamos um vídeo:


Portanto, a computação quântica é o ramo da computação que se utiliza de fenômenos e efeitos da física quântica para resolver problemas que demorariam milhões de anos para serem resolvidos, certo?

Fantástico!

Que fenômenos e efeitos são esses?

De maneira bem ampla, a mecânica quântica incorpora os seguintes quatro tipos de fenômenos:


  • Quantização de certas propriedades físicas (a carga elétrica é a mais ingênua de todas);
  • Entrelaçamento quântico (imagine duas ondas (ou partículas) entrelaçadas: se você muda a polarização de uma delas, a outra muda também. Mesmo a anos-luz de distância. Não me pergunte como.);
  • Princípio da incerteza (imagine um gato dentro de uma caixa... com uma ampola de gás venenoso... e que tem 50% de chances de ter se aberto... então: o gato está 50% vivo e 50% morto. Não me pergunte como.);
  • Dualidade onda-partícula (essa é linda: imagine um fóton. Imagine que ele pode se apresentar como uma onda de luz (apresentando fenômenos de interferência) e como matéria, possuindo momento linear. Pois bem: isso acontece.).
O princípio da incerteza é o mais infame de todos, na minha opinião. É a questão do gato acima, o gato de Schrödinger. Pelo paradigma da física quântica, a situação do gato se define com a observação do ser humano. 

E isto nos conduz à questão do entrelaçamento: se duas partículas estão entrelaçadas, a observação de uma delas muda a característica controlada da outra delas, instantaneamente. Mesmo a anos-luz de distância. 

Com isto, cria-se o sofisma (por favor, me corrijam, senhores físicos!) de que a informação viajou numa velocidade superior à da luz.




Vamos a uma pergunta um pouco mais prática?

Que problemas um computador quântico pode resolver?

Sei que minhas fontes não são as mais reputáveis, mas vamos lá:

Todas as respostas consultadas se parecem com o conto do Lima Barreto "O Homem que Sabia Javanês": promessas de um mundo lindo, com problemas resolvidos, pessoas felizes e gatos que nunca caem.

Primeira resposta: https://www.quora.com/What-can-you-do-with-a-quantum-computer/answer/Allan-Steinhardt

Essa resposta do site Quora (talvez tão infame quanto a Wikipedia enquanto fonte científica) fala em problemas dificílimos da matemática, em que um computador quântico, se existisse, teria tudo resolvido em 10^100 vezes mais rápido, em média.

A próxima resposta (https://www.quora.com/What-can-you-do-with-a-quantum-computer/answer/Vishwas-Shukla-3) é um pouco mais pé-no-chão. Lista o seguinte:


  • Decriptografia instantânea de mensagens secretas;
  • Procura instantânea em bancos de dados imensos;
  • Previsão do tempo acurada;
  • Desenvolvimento de novos medicamentos (fruto da simulação de ligações químicas entre átomos);
  • Roteamento de tráfego mais eficiente;
  • Melhoria de inteligência militar;
  • Viabilização de criptografia quântica (inquebrável?);
  • Desenvolvimento do conhecimento do espaço;
  • Machine learning e automação;
  • Dobramento de proteínas (protein folding);
  • Compressão de vídeo
Bom, isso sim são aplicações reais da computação quântica.

Já houve algum problema resolvido por computação quântica?

Excelente pergunta!


"sim e não"

... como bem convém a um computador quântico.

(A academia que me desculpe, mas essa piada foi por minha conta...)

O problema era encontrar o nível de menor energia em aminoácidos e interações, o que corresponde à maneira mais econômica de dobramento de proteínas (que é o que a natureza invariavelmente faria). O computador utilizado foi o D-wave 1.

Pois então:
"According to the researchers, 10,000 measurements using an 81-qubit version of the experiment gave the correct answer just 13 times."
Sem mais por hoje, ok?

24.3.16

O fotolog está fechando

Figura 1 - Mensagem de encerramento do fotolog
Gente, o legendário site fotolog está anunciando seu fechamento.

Figura 2 - Desculpe, eu não ia deixar de usar essa foto! ;)

Realmente, sinal dos tempos. Um dos poucos sites que ainda sobrou das antigas está encerrando suas atividades.

O endereço do meu fotolog é/era: http://www.fotolog.com/theultimatenerd/

A primeira foto é datada de 25 de agosto de 2003. A última é de hoje: 24 de março de 2016.

Até hoje, são 12 anos, 6 meses e 28 dias (e contando, até quando aguentar).

Se considerar que o site de hospedagem de páginas "Geocities" acabou em 2009, até que o fotolog foi bem longevo.

Bom, lá no fotolog tem uma postagem especial de encerramento. A foto é a mesma acima. Fica aí para o registro. É uma foto emblemática.

Figura 3 - A última postagem
Talvez eu arranje um jeito de colocar as fotos do fotolog em algum lugar por aí. Eu sou todo cheio dessas coisas, vocês sabem. E não me sugiram o instagram, ok?





21.10.15

De Volta para o Futuro - Parte 1

E hoje foi o grande dia!


Hoje foi o "dia do futuro" no filme "De Volta para o Futuro - parte 2".

O filme (a parte 1) foi lançado em 1985. Eu tinha meus miseráveis 8 anos de idade e não lembro nem quando que eu o assisti. Obviamente, na TV aberta, o que deve ter sido uns 2 anos depois de lançado. Enfim, é irrelevante. Eu era pequeno e me encantei com o filme.

Tudo que eu queria, no futuro, era trabalhar como cientista em algum lugar legal, usar jaleco branco, e numa sala escrito "laboratório" na porta.

Esse sonho eu já realizei, há alguns anos, quando trabalhei com células a combustível com um ex-colega e grande amigo da faculdade. Nada mal, hein?

Os meus esforços e os esforços do acaso acabaram me levando a trabalhar como engenheiro de uma empresa bem grande, num lugar que, em alguns momentos eu comparei a um exílio, mas que não tem nada de tão ruim, e que eu aprendi a gostar das partes boas, e encher o saco de todo mundo que está perto por causa das partes ruins.

Meu dia hoje foi surreal.

Cheguei muito mais cedo que de costume no trabalho. Todo mundo se espantou (óbvio), e eu expliquei que hoje era o dia do filme, bla bla bla, e que, na verdade, acordei atrasado como de costume, peguei a máquina do tempo, e cheguei bem cedo por lá. Ninguém se espantou muito com essa explicação. Era para eles darem risada! Oras!

Lá no refeitório, na hora do café (sim, tem isso), reparei em como esse mundo é surreal... mais que eu.


  • A nutricionista estava com um jaleco azul claro, uma calça dessas de moda duvidosa, bem folgada e colorida, e com alpargatas. Sério, parecia que estava de pijamas.
  • Uma técnica de lá tem o hábito de falar sozinha quando está almoçando, e até de gesticular. Os outros dizem que ela é estranha... mas eu não acho. Não por esses motivos. Afinal, eu também faço isso às vezes. Essa menina deve ser muito legal, mas eu nunca consigo conversar com ela.
  • Chegou depois um colega desses que gosta de conversar assuntos chatos. Ele encheu muito o meu saco. Nada de aceleradores de partículas, vida em outros planetas... nada disso. Por que as pessoas não curtem esses assuntos, que são verdadeiramente sérios???
  • Tem uma outra colega lá que, de tanto que fala, chega a NARRAR o que está falando. Gente, ela fala demais.


O plano para hoje é assistir pelo menos um dos filmes com uns amigos daqui.

E vocês? O que me contam? Deixem seus comentários!


1.7.15

A capa do Equinoxe é 3D!

Gente, vocês não imaginam minha emoção!

Essa é a capa do álbum "Equinoxe", de Jean Michel Jarre:

Figura 1 - Capa do álbum "Equinoxe", de Jean Michel Jarre


Pois bem, nesta noite de insônia, "Equinoxe 5" começou a ressoar no meu cérebro, e o Youtube veio em meu auxílio.

Observando a ilustração (a capa), me veio à mente aquele livro "Olho Mágico", e decidi testar se funcionava, aplicando o método convergente de visualização de estereogramas.

E não é que funcionou???

Nossa, gente, é fantástico! Os meninos azuis estão tipo numa plateia MESMO!!! Com um efeito de profundidade fantástico! O estereograma é perfeito!

Fiz algumas pesquisas no site de buscas, e aparentemente só uma outra pessoa no mundo publicou isso na internet.

Vamos lá, tentem. Os olhos devem ser levemente convergidos (ficar vesgo mesmo, mas um pouquinho só), tentando fundir dois bonequinhos em um só. Essa ilustração é do tipo "cross-eyed".

Tentem com os maiores, da parte de baixo da imagem. A coisa é assustadora!!! Uma plateia de bonequinhos azuis TE OLHANDO!!!

~o~

"Equinoxe" foi lançado em 1978, e a capa foi desenhada por um artista gráfico francês chamado "Granger Michel".

Segundo a Wikipedia (Autostereogram), os estudos sobre estereogramas começaram no século retrasado (19), mas a coisa só se desenvolveu na década de 70.

Só que aparentemente o Sr. Granger Michel não desenvolveu arte em 3D... mesmo assim, quero acreditar que isso tenha sido proposital, o que torna esses dois artistas ainda mais fantásticos!

Se alguém souber de algo, por favor, deixe um comentário.


5.3.15

as músicas em questão

(Eu escrevia muita besteira nesse blog. Sério.)



A referida compilação de 40 músicas chegou só nas 25... e dessas, as únicas que não me fazem passar (tanta) vergonha são essas nove:

Buena Vista Social Club - Chan chan
The Gathering - Eléanor
Ritchie - Wichita Lineman
Alcalóides - A Bomba
The Doors - Riders on the Storm
Led Zeppelin - Kashmir
Jean Michel Jarre - Arpegiator
Jean Michel Jarre - The Overture
Jean Michel Jarre - Equinoxe 3 (do CD Aero) (que é a música mais bonita do mundo)

Tem três do Jarre porque eu pleiteei essa ressalva.

E nada do Pink Floyd?
Nada. Para mim, as obras deles são para serem ouvidas numa pegada só, em sequência. E se não pode tudo, não vai nenhuma. (A bem da verdade, com Jarre ocorre o mesmo, mas com algumas exceções.)

Nada da Enya?
Nada, mas na segunda edição eu vou abrir algumas exceções.

A propósito: deem-se de presente fones de ouvido bons. O mundo parece que fica até melhor.

3.3.15

relendo...

Andei relendo postagens bem antigas deste blog.

Definitivamente ele era mais divertido. Aliás, EU era mais divertido.

Será que a gente vai ficando chato quando vai envelhecendo?

Amanhã vai ser um dia chatíssimo no trabalho.



Esses tempos fui chamado a fazer uma compilação das minhas 40 músicas preferidas, para ouvir com essas pessoas em viagens - com a ressalva de que não poderia repetir artista/compositor/etc.

Na verdade, era uma salvaguarda para eu não encher de músicas do Jean Michel Jarre, ou da Enya.

Sabe o que é? Essa gente aqui é muito coisada, e não curte música sem letra, sem alguém cantando.

Oras... Hunf.


2.3.15

"dir" + enter

Esses dias peguei uma caixa de disquetes lá no trabalho. Era de uma colega, e ela ia jogar tudo fora. (É incrível a negligência com a qual as pessoas tratam sua própria história.)

Peguei os disquetes e copiei para o computador, usando um drive de disquetes USB, uma espécie de relíquia particular.

Figura 1 - Um drive de disquete e alguns disquetes de 3,25"

Para copiar, comecei usando o Windows Explorer, o que se revelou inviável, já que esse sistema operacional de agora insiste em ler os arquivos todos, mesmo que seja para apenas apresentar seus ícones na tela. A 500 kbits por segundo, é inviável sim. Não é tão lento quanto, por exemplo, um modem de 2400 bps, mas é lento sim.

Aí resolvi apelar para o "DOS".

O que se seguiu foi estarrecedor: além da velocidade que o processo todo tomou, a facilidade como meus dedos criavam pastas e listavam o conteúdo dos disquetes foi uma surpresa deprimente: parece que eu voltei uns 20 anos no tempo, época em que eu achava o máximo andar com um disquete marcando a página da agenda do colégio.

É foda olhar pra essas coisas que insistem em não sair das nossas cabeças.

11.1.15

A mente do meu cachorro

Recentemente, visitando minha terra natal, resolvi fazer (repetir) uma experiência cognitiva com o nosso cachorro.

Nosso cachorro

Realmente não dá pra entender direito o que tem dentro da mente deles. Nem da minha, mas isso não importa.

Foi assim: pegamos um objeto pelo qual ele demonstrava interesse (era uma casca de árvore, mas isso também não importa), sentei no chão, e, com ele a uma certa distância, coloquei o objeto vagarosamente sobre a minha cabeça.

Ao retirar a mão da cabeça, o olhar dele seguiu a minha mão, e não minha cabeça, o que lhe provocou um grande espanto, já que ele julgou que o objeto desapareceu misteriosamente.

Ao ser ordenado para pegar o tal objeto, ele rodou um grande perímetro em volta, sem conseguir encontrá-lo. (Na verdade, conseguiu, por um insistente auxílio do meu pai, o que me provocou um certo banho de saliva canina).

Das duas, uma: ou ele tem um sério problema cognitivo (pouco provável), ou todos os cachorros têm uma impossibilidade nata em entender esse tipo de coisa (mais provável, pois já é o segundo cachorro que produz esse resultado nesse teste).

Desta forma, conclamo todos os proprietários de cachorros que, por favor, repitam essa experiência, e relatem seus resultados nos comentários.

Grato.

PS: Aos atenciosos, foto de fato foi tirada com uma câmera instantânea.